segunda-feira, 13 de julho de 2009

Mercado Animado



Tenho a razoável sorte de poder ter contatos quase que diários com crianças e seu universo infantil, isso me habilita e dizer o quanto o sistema capitalista é inteligente e está longe de quebrar, isto porque sabiamente já temos novos recrutas no exercito do consumo.
Nesta sociedade que ainda é mediada pelo espetáculo das imagens e da informação, temos que usando que sua habilidade e seus recursos tecnicos, a industria de monstrinhos consumistas se faz.

Perdemos, ao subjetivar o consumismo e a logica do trabalho disseminado pelo capitalismo, onde devemos dar nosso sangue sonhando com nossa ascenção financeira, aquilo que poderia nos tornar humanos melhores, a valorização, paralém da papagaiada televisiva, das relações humanas diretas.

Hoje precisamos comprar nossos amigos, familia, e principalmente nossas crianças. Neste ultimo caso, creio que esta situação se arrasta desde a criação da Disney, com sua industria de animação de desenhos e promoção de personagens com outros produtos que ultrapassam a tela da TV e do Cinema. Vivemos um boom de animações que suprem o tempo que não temos e povoam a mente de nossas crianças, nao lhes permitindo escolher e sim lhes impondo o consumo de todos os produtos a elas relacionados: Os Incriveis,. Eras do Gelo, Nemo,
e uma outra serie de personagens que com sua saga fraca e seus efeitos especiais não permitem às crianças vivenciar coisas diferentes, tudo que trabalha o ludico em sua vida é rapidamente esquecido após seus olhos serem iluminados pelos icones do sucesso americano em importar sua cultura, e ainda determina no universo ludico que o que nao é dinamico e engraçado, não presta, nao é atrativo.

O que mais me impressiona é a habilidade de nos apresentar o produto como um programa familia, posto que além de agir de acordo com a psicologia infantil, com uso de estéticas e cores especificas, milimetricamente calculadas, traz para nós adultos as suas piadas que somente para nós faz sentido, com teor politico, ou fazendo metalinguagem a passagens de cinema, ou parodiando programas de TV ligados ao universo adulto, escarancarando para nós que a história nao importa, o que importa é a risada que te torna mais um ser feliz, e seu filho será tambem um ser feliz quando voce lhe der a boa lembranca deste momento familia que passaram juntos, entao de-lhe uma passagem feliz para o Mc Donalds
e lhe compre o bonequinho, e nao se esqueça q ele precisa ostentar seus materiais escolares do seu personagem favorito, e nao suficientemente, compre-lhe roupas e faça sua festa de aniversario com a temática de todos os desenhos que vc e ele virao na sala de cinema.
Nao se esqueca de pedir seu atestado de incompetencia como responsavel por perpetuar a lógica capitalista que jorra pela cultura da potencia cultural, os EUA.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A arte da Estratégia



Nunca se deve tomar uma atitude que demonstre ao seu inimigo ou subordinado que você não é, ou nunca tenha sido, capaz de comandar seu séquito. Isso dá aos que estão se mobilizando contra você a certeza de que se agirem obterão sucesso. Não dê argumentos a todos de que você não possui a mínima autoridade sobre ninguém. E o maior sintoma de sua fraqueza, sua solidão, é o uso por sua parte de seu maior poder de coerção. O uso de força desproporcional indica duas coisas: uma que você está com medo e outra que seu poder já não é legítimo, se é que um dia já foi!

Conto Infantil




Sentiu dentro de si
Um monstro penetrante
Taparam-lhe a boca,
Calando o grito irritante
Rasgaram-lhe a alma
Com um ato sufocante

E lhe dizem que o importante
É ter vida pra viver
E que tudo se ajeita
Que não sabe o que é sofrer
O que resta em sua chama
É o desejo de morrer


Não quer ver anoitecer
Só se vê amedrontada
Fraca, não se defende
Só se lembra amarrada
Da memória torturante
Por um homem lambuzada


Não consegue entender nada
Sua mente em confusão
Sentimentos conturbados
É pior que assombração
Quem ainda espera o príncipe
Vira o foco do tesão


É tão triste ao gritar não
Ter um tapa que assassina
E ainda sentir culpa
Será essa minha sina?
Tratada como cadela
Sendo assim tão pequenina


A vida nos ensina
Mas parece esar mentindo
Diz-nos que o ideal
É seguir sempre sorrindo
É como tapar os olhos
E seguir sempre fingindo


Mãos forte vão te ferindo
Enquanto tenta compreender
Não sabe ser sedutora
Mas o vê enrijecer
Ele cheio de desejo
A menina, seu prazer


Sem deixar esmoecer
Vou manter a esperança
Sempre sonho em um dia
Confiar na Confiança
Que mantenha-se inocente
A Inocência da Criança!




terça-feira, 19 de maio de 2009

Como pensar e agir politicamente?


"A primeira coisa que o intelectual latino-americano tem a fazer é negar-se, desmistisficar-se completamente, sair desse papel de intérprete, de crítico da história, sem uma participação concreta, política. Para ele, a única forma de revolucionar-se é fazer do pensamento e da ação política algo integrado."

Glauber Rocha

Falarei aqui como um indivíduo em constante conflito consigo mesmo. Acho que as palavras mais recorrentes em meus posts (pelo menos na idéia) são Hipocrisia e Incoerência. Eu as uso bastante pois, em se tratando deste que voz fala, a hipocrisia e a incoerência regem, voluntariamente ou não, boa partes das minhas ações. Neste ponto acho que a citação acima casa bem com o que irei questionar.

A frase de Glauber é bem amarrada e lá a situação se resolve. Porém, devo por em questao a relação ação x pensamento. Como disse, falarei como um individuo, nao coomo integrante de um grupo ou algo do tipo. Não que eu acredite que o modo correto de agir seja individualmente, como se o coletivo fosse formado pela soma de ações individuais mas, neste instante devo confessar que diante de algum cenário caótico, onde a harmonia não se encontra ou o comprometimento (pelo menos da forma em que eu o entendo) não é geral ou ao menos explicito do modo ideal , alguns indivíduos devem agir como o fiel da balança.

Muitas vezes me pego maquinando a Revolução, e ela em minha mente é perfeita desde a trama, passando pela execução e chegando às suas benéficas conseqüências. Mas, ao me deparar com as pessoas nas ruas, ou mesmo no meu círculo familiar, vejo que as coisas não são tão simples e maravilhosas. Querendo eu admitir ou não, o capitalismo e sua lógica já está naturalizado por grande parte da população mundial. Conversando com as pessoas, vejo que elas não concordam com muitas coisas no sistema, todavia as mesmas racionalizam sobre sua necessidade de viver e sobreviver da melhor forma possível, crendo que devem batalhar para subsistirem vendendo suas almas aos seus exploradores - que também pensam em grande parte das vezes que nao estão causando mal, que apenas estão agindo para não serem consumidos pelo mercado ou coisa que o valha - e achando que o mundo é assim, que o homem é o lobo do homem, etc. E aqui não nego que há empresários fdps e que o dinheiro muitas vezes traz consigo um vislumbramento que altera o modo de ver as coisas, atingindo inclusive os valores e a ética moral das pessoas. Mas eu vendo de fora e diagnosticando é muito fácil. O que me intriga é pensar no que fazer para quebrar esta lógica naturalizada. Este modus operandi maléfico que desde sua raiz é opressor e excludente, como que se estivéssemos num mundo arquitetado pela seleção natural de Darwin ou com a meritocracia de Lamarck, e nossa luta diária devesse ser pela sobrevivência. Ao andar pelas ruas vejo no olhar das pessoas a falta de perpectivas de mudança (não só em suas vidas no ambito pessoal, mas no mundo como um todo!).

Mas de que adianta minhas elucubrações? Eu não consigo tapar os olhos e dizer que está tudo bem , todavia, também me sinto impotente. Talvez possamos responder á essa impotência agindo politicamente.

Partindo da noção primária do que é Política, que, resumidamente, podemos atribuir sua emergência à ocorrência de uma experiência comum que se fixou como uma idéia. Tal experiência foi o surgimento da Polis na Grécia antiga. Ou seja, o termo Política, não designa coisas como qualquer tipo de governos sob qualquer forma de poder. A Política por excelência é a consequência da criação de um espaço público comum, onde os iguais se relacionam, e estes iguais são grupos que são trocados de acordo com o espaço e o tempo, pois conforme a "História vai se acontecendo" mudam os grupos de interesse/poder e estes fazem o que julgam ser o mais apropriado para si ao se apropriar de tal espaço. Política em seu modo cru, sem más apropriaçoes, e aqui faço sim juizo de valor, é o âmbito da persuasão, onde os iguais debatem, e já sabemos que não nascemos iguais, a igualdade é uma vitória a ser conquistada politicamente. Uma coisa é viver sendo aceito como existente (os negrios existem - isso é biológico) outra coisa é ter voz - aqui é política. Não nego que entre os gregos os iguais eram os cidadãos, assim o que havia era a excluão das demais categorias. Mas, pensando na política no que posso chamar de sua gênese, encaminho aqui para que não se perca a oportunidade uma breve reflexão sobre o que entendo por Coletivo.

Nos vendo como iguais, partilhamos das mesmas habilidades e potencialidades, o que indica que todos podem fazer as mesmas coisas sempre; não há como negar que o resultado talvez não apresentará o que o indivíduo teria de diferencial para mostrar (e sabendo-se que não se deve monopolizar as expectativas de resultado), porém o mesmo senso de coletivo deve ser partilhado por todos, e isso não só para que se superem as paixões individuais, mas porque tal senso possui em seu DNA dois genes o da confiança e o do comprometimento. Assim, todos devem aceitar sua responsabilidade para com o projeto encaminhado. Agindo dessa maneira se supera a lógica, simplesmente porque ela se fará desnecessária, da divisão de trabalho. O que deve haver é uma sincronia harmonica e não uma dependência coletiva. No final tem-se algo que é de todos para um todo maior ainda.

Mas infelizmente a teoria enfrenta o problema da prática. É inocência pensar que divergências não virão, elas virão sempre, e deve-se ser maduro para saná-las. Porém, quando elas fiam implícitas, veladas, escondidas, e as partes envolvidas não as põem em conflito no espaço público, chegamos no mesquinho embate entre o pseudo-culpado e a autoproclamada vítima. Deve-se superar isso, se não se está indo bem, como o trabalho é coletivo, a culpa é coletiva! E geralmente o que está em jogo são os dois genes, o que me leva a dizer que somente é legítimo cobrar das pessoas, nestes dois pontos na confinça que ela deve ter e manter em seus iguais e o seu comprometimento que deve ser sincero com o projeto.

Ou isso, ou vamos para o que é mais fácil, dividir funções, posto que o que os une é o compromisso comum com o projeto, principalmente quando este tem um cunho politico, que será percebido em seus resultados. É uma pena, mas é um modo de resolver as coisas.

Após estas necessárias digressões retoma a questão: como agir e pensar politicamente? Sem deixar de reafirmar que agir politicamente para mim é agir coletivamente, e tal açao é qualificada quando pensada para ter impacto no espaço público, apenas de nào podermos prever se apropriaçao deste sempre será benéfica. Mas o que fazer quando se está sozinho?

Primeiro desmistificar-se no sentido de Glauber, segundo, ao ir à praxis, nao deixando de lado sua teoria, mas casando-a com sua praxis, e isso não de forma desvinculada da realidade, posto que se sua teoria não é práticavel, ou está em outra realidade ou não se quer aceitar o campo de batalha, voltando a esperar o espaço/momento ideal de atuação.

A sua teoria e sua prática, casadas e com possibilidades reais de execução, devem ser levadas com paixão, deve-se ser racional e passional, racional para saber quando parar e passional para tentar até essa última hora. Deve-se perceber se se está como um cão no desrto latindo para as sombras do nada. Deve-se agir sendo coerente e principalmente com bom senso, ter a paixão ponderada pela teoria e a razão. E aqui cabe uma autocrítica, não é necessário ser uma máquina que só age, agir sem pensar é passional ou idiota, pensar sem agir é se omitir, opinião sem ação é o mesmo que nada, é aliás a não-ação o equivalente da açào pelo status quo. Qunado a ação não leva a nada, reflita se politicamente é válido continuar, sendo sincero consigo e com o outro sem soberba, egocentrismos, orgulho exacerbado. E ainda, quando sua reflexão te leva a propôr uma não-ação torne-a pública, é legítimo a não-ação, porém esta será uma não-ação política com expressão no espaço público, não somente no privado.

Parece que levantei aqui um simples manual, mas espero que percebam que tal reflexão se faz necessária principalmente para ser criticada, tanto pelo que posso ter abordado de forma deturpada quanto pelo que não abordei, eou mesmo pelo meu idealismo simplista, entre outros. O espaço virtual "público"da net (limitado pela exclusão digital) possibilita a exposição política dos meus pensamentos, e estes devem ser discutidos neste espaço virtual, que querendo eu adimitir ou não, nos homogeiniza. Tornando-nos iguais, humanos virtuais, veja bem: virtuais e não virtuosos!

E como isto é uma reflexão, reflete um momento pelo qual passo e muito hipocritamente tudo o que escrevi pouco pratico, não saí da crítica, diagnóstico e autocrítica. Não sei se vou melhorar mas, prometo que a minha sensibilidade continuará viva, espero que a de vocês também!

Post sujeito a modificações assim como as teorias, que nunca devem ser rígidas...












terça-feira, 12 de maio de 2009

Pátria-Mãe



Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos



HINO NACIONAL

Parte I

Ouviram do Ipiranga as margens podres
De um povo fraco o passo retumbante,
E o sol da individualidade, em raios fúlgidos,
Ofuscou o céu da pátria nesse instante.
Se o penhor dessa submissão
Conseguiram nos entregar sem muito esforço,
O teu cheiro, ó Financeira,
Desafia o nosso cérebro à própria morte!
Ó Pátria otária,
Sempre roubada,
Que alguém te Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De tirar sempre proveito à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Doleiro resplandece.
Idiota pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido banqueiro,
E o teu futuro espelha essa esperteza.
Terra cegada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria tomada!
Dos bancos deste solo és mãe imbecil,
Pátria otária,
Brasil!

Parte II

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, Magnata, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Sobre a terra, mais garrida,
Teus risonhos, lindos cofres especulam valores;
"-Esses pobres nao tem vida!",
"-Essa vida" nós que temos "eles tem dores."
Ó Pátria otária,
Sempre Roubada,
Que alguém te salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- "Paz no futuro e glória no passado."

Mas, se ergues da injustiça a clava forte,
Só vemos que um filho teu só foge à luta,
Só teme, quem te usurpa, a própria morte.
Terra cegada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria tomada!
Dos bancos deste solo és mãe imbecil,
Pátria otária,
Brasil!

Letra: Joaquim Osório Duque Estrada
Música: Francisco Manuel da Silva

Atualizado ortograficamente em conformidade com Lei nº 5.765 de 1971, e com
art.3º da Convenção Ortográfica celebrada entre Brasil e Portugal. em 29.12.1943.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Amíngua


Amíngüa

I

Todos a seus lares
A soberba enraíza-se nas almas
Todos ostentam seus objetos, suas belezas
Títeres-pavões papagaiados
Sobe junto a todos o estranho
Alguém que está abaixo,
Que não interessa em nada a ninguém
Sua presença atrapalha
Sua presença atrapalha
Seu cheiro enoja
Seu cheiro enoja
Vê-lo irrita... melhor lhe virar a cara
O não-homem se humilha,
Tem fome,
Tem fome,
Tem fome,
Tem no duro chão seu sonho,
Fecha os olhos para ver a vida
Ver a vida?
Em riste espera,
Odeia ter simplesmente nascido
Vive
Não Vive
Melhor não encará-lo
Não se deve lhe dar esta ousadia
Não permitamos a ele achar que terá abrigo
Celulares cantam, cabelos se mexem
Tudo importa
Só ele não importa
O não-homem
Ele espera... ... ... ...
O silencio
Ele espera... ... ... ... ... ...
A lágrima da fome e da humilhação lhe rasgando os olhos e secando-lhe a garganta.
E o que lhe resta é apenas mais um
“Que Deus abençoe a todos, Muito Obrigado!”


II

A mim só resta a dúvida
Dúvida
Será que sou digno
Digno de olhar este não-homem nos olhos?
Não somos dignos,
Será, será, será, será?... ... ... ...

Mas como o problema não é meu
Nao é a mim que a fome tira a vontade de viver
Sou indiferente
O que vale é o meu estar garantido
Sou um homem
... ... ...
Nunca mais me orgulho disso!

segunda-feira, 16 de março de 2009

watchmen X WATCHMEN

Ao saber que iria assistir ao filme Watchmen já fui preparado para me surpreender positivamente, posto que conversei com alguns amigos que me fizeram boas críticas a este filme, e isto apesar de ter ouvido criticas negativas por parte de um outro grupo de amigos, com os quais tive a oportunidade de trabalhar em cima da graphic novel de Alan Moore, momento este no qual eu fui apresentado para tal obra-de-arte (e aqui digo que não sou grande conhecedor do universo dos quadrinhos para fazer uma análise rebuscada do que representa o Watchmen em comparação com outras obras). O fato é que ao sentar-me na cadeira do cinema, diga-se de passagem uma boa sala com riqueza na imagem e no som, apesar do incômodo causado pelas conversas dos outros, tive a nítida sensação de que algo não iria me agradar até que começou o filme e tive minhas lá dúvidas.
A abertura elíptica é muito bem feita e a escolha da música de Bob Dylan foi perfeita. Então chegamos ao primeiro quadro de Watchmen, a morte do Comediante, um primor. Acreditei piamente ao ver o trailler que seria algo feito com tamanho exagero que eu teria asco na primeira cena, o que não foi verdade. O zoom no botton sorridente foi mega fiel, mas também não havia como deixar de ser, posto que Allan Moore e Dave Gibbons tiveram muito zelo em aproximar a construção do quadrinho Watchmen de uma linguagem fílmica.
Aliás, este fato é extremamente relevante ao se fazer a crítica ao filme Watchmen , pois a única coisa na qual seria impossível eles errarem era na fotografia. Enfim, estava eu até então todo contente, vendo a trama se desenvolver razoavelmente bem, as coisas acontecendo numa adaptação muito boa do roteiro no que diz respeito aos fatos. Mas aí me pego questionando a construção dos personagens. Sei que a releitura de qualquer obra literária permite ao releitor modelar fatos e personagens para que eles se ajustem aos seus intentos, mas a coisas que se faz que acabam por detonar com a intenção e áurea da obra original. Pontualmente falando, o Comediante interpretado por Jeffrey Dean Morgan na minha rala captação, posto que não sou especialista em nada, para mim foi o personagem mais bem montado, mais fiel ao construído por Moore. Zack Snyder consegue no Comediante manter sua cosmogonia tão evidente no quadrinho de Moore: o homem que faz uma leitura da realidade e a segue, e que num salto qualitativo, descobre-se fraco diante de uma trama muito mais friamente pensada do que ele considera a sua racional/passional leitura da realidade. O homem que se constrói forte e é visto pelos outros como tal, se pega no auge da sua fraqueza, da sensação de impotência diante de algo imensamente maior do que suas ações pontuais contra a vida e a moral.
O restante das personagens retomados no filme flutuam entre momentos em que se encontram fiéis aos originais e outros em que apenas aproximam-se da fotografia do quadrinho ou nem isso, um exemplo notório de afastamento do original é o Veidt, vulgo Ozymandias, interpretado por Matthew Goode. A construção do personagem não leva em consideração uma característica basica do Veidt de Moore, a simpatia, a qual o torna um personagem muito menos previsível e enriquece a trama, pois ao ver um personagem simpático que aparentemente zela pela moral e bons costumes fica mais forte a cena em que ele se vê como um fraco, isto no fim da trama de Moore, pois na de Snyder ficou um pastelão, um personagem chapado.
O roteiro de David Hayter e Alex Tse, que adapta a obra publicada na década de 1980, tentando manter a áurea daquele momento,o que é altamente reforçado e com sabedoria ao incluir Bob Dylan, Simon & Garfunkel, Leonard Cohen e Billie Holiday, é bom, traz elementos novos á trama, aglutina acontecimentos em certos momentos que tornam a adaptação rica, todavia peca ao não conseguir trazer á tona o que, na minha modesta opnião, e a essência da hora de Moore, o caráter humano dos personagens.
A obra de Moore traz em si uma questão básica: Como seria um mundo real onde os heróis e super heróis realmente existissem? Para tanto ele retoma de modo particular heróis já existentes em nosso imaginário criado por outros artistas dos quadrinhos, construindo personagens que tem como traço principal o fato de poder ser qualquer homem comum, independentemente de possuir habilidades mega excepcionais ou não. São indivíduos que por alguma questão particular decidiram fazer a justiça, a partir de sua cosmogonia, com as próprias mãos. E para a construção se tornar o mais verídica possível, posto que devemos pensar este mundo como sendo uma possibilidade real, ou seja o nosso, Moore sabiamente nos põe a vista personagens paralelos que podemos considerar como o leitor dentro da obra, são as pessoas que você encontra casualmente na esquina. Pessoas como o jornaleiro, que pode nos dar a noção aproximada do que chega aos olhos e ouvidos do homem comum que vive sua vida no dia-a-dia de trabalho, sofrendo as indagações/expectativas do que será do nosso amanhã -neste caso, ele, assim como muitos, constrói sua leitura dos fatos através do que lhe é acessível: o jornal de cada dia. Ele é de tamanha inocência que representa muito bem o povo comum. Outros problemas humanos, aqui na esfera privada, e no choque da esfera privada com a esfera pública aparece em outros personagens, com o psicólogo e sua mulher, o casal de lésbicas, etc. É relevante para nós o fato de que tais personagens paralelos não possuem biografia dentro do quadrinho, diferentemente dos heróis da trama, que nos são apresentados principalmente em suas motivações para a ação (creio que excepto o Comediante).
No filme, a ausência deste personagens paralelos tira dele a sua essência e deixa somente um filme com fotografia, música e fatos legais, um bom blockbuster. Entendo que exigir de uma linguagem a reprodução fiel de outra é meio que mesquinha presunção de gente xarope, mesmo porque talvez neste excesso de zelo poderíamos ter um filme enfadonho, o que não é o caso deste, mas o filme, na ânsia de ser ou não copia perdeu-se e assim se apegou aos fatos e ás soluções para transplantar passagens de uma linguagem para outra. Ressalto que gostei muito do desfecho, enquanto solução de uma trama, não da construção dele, pois o fato de o Ozymandias ser o homem mais inteligente do mundo e ter habilidades físicas magnificas, não fazia dele um homem mau, no sentido maniqueísta, o que ocorre com a escolha de Zack que mantém os diálogos, mas perde-se a essência, assim era melhor não ter feito nada!

Ps.: A sacada para a brochada do Dan (Coruja II interpretado por Patrick Wilson - que na minha opnião é o personagem que mais se aproxima de homem comum no filme como um todo, apesar de esteticamente sua armadura matar o personagem de Moore) foi genial: ao invés de por a cena em que rola a brochada o contraponto do Veidt no auge de sua forma dando saltos na TV, atrasaram a "piada" para o momento em que efetivamente o Dan demonstra sua virilidade para a Espectral, Malin Akerman, após terem agido novamente como heróis na cena do incêndio e ao som de "Aleluia" vemos o Arquimedes (a nave) expelir fogo, numa clara referencia á ejaculação do nosso digníssimo.
Ps.2: O Roscharch, Jackie Earle Haley, também ficou bem construído, mas isso é apenas o dever, pois o personagens de Moore não apresenta nenhuma alteração de humor ou de convicção, o que torna muito simples transplanta-lo para o mundo cinematográfico.
Ps.3: Gostei da solução final para o desfecho do filme porque, apesar de tornar o agente causador da destruição que é externo num agente interno - Dr. Manhattan, Billy Crudup - a leitura de que a Veidt racionalmente propõe para a união dos povos a emergência de um medo muito maior, ou seja o terror, foi mantida, e alias foi muito feliz tal solução pois permitiu cortar do filme muitas partes que não precisaram entrar na trama proposta pelos roteirista, por não influir diretamente em tal desfecho , exemplo disto é a ausência do mistério em torno do desaparecimento do escritor Max Shea.
PS.4: Eu não tratarei aqui das questões políticas, históricas, sociológicas, e tals as quais podem ser largamente discutidas nos comentários.
PS.5 : depois eu ajeito as imagens direito.



É isso.


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